terça-feira, 16 de setembro de 2008

Quando crescer, vou ser... fisioterapeuta! Conheça o trabalho do profissional que estimula a capacidade de recuperação das pessoas!!

Vai começar mais uma partida de futebol com o time da escola. Serginho, goleiro da equipe, está terminando seu aquecimento, batendo uma bola com os outros jogadores. A bola é levantada na área, o menino tenta uma meia-bicicleta, que sai meio torta, cai e acaba rompendo o menisco, cartilagem da articulação do joelho. O médico opera o joelho do goleiro trapalhão e indica um fisioterapeuta para tratar e acompanhar a sua recuperação.
Hoje, Sérgio Seixas, fisioterapeuta e professor da Universidade Estácio de Sá do Rio de Janeiro, lembra com saudades dos tempos de garoto e de como tudo começou: “Eu pensei que nunca mais ia praticar esporte algum, mas, em sete meses, voltei a jogar futebol e também entrei para o time de vôlei. O mundo pode ter perdido um goleiro, mas ganhou um fisioterapeuta.” A fisioterapia é a área da saúde que se ocupa da prevenção e do tratamento de alterações indevidas na movimentação e no funcionamento do corpo, sejam elas causadas por algum trauma, doença ou de origem genética. O fisioterapeuta se preocupa, principalmente, em permitir que as pessoas possam fazer suas atividades físicas normais, sem que as suas doenças ou lesões atrapalhem o seu dia-a-dia. Nem sempre é possível retomar a vida do jeito que era antes do acidente ou do acontecimento que casou os problemas físicos, mas a função do fisioterapeuta é justamente fazer todo o possível para diminuir as dificuldades surgidas e trazer qualidade de vida para o paciente. Por exemplo: ele pode ajudar pacientes com Mal de Parkinson, doença que atinge o cérebro e afeta os movimentos da pessoa, a controlar ao máximo as conseqüências dessa mazela; pode também reduzir e até acabar com as seqüelas de um derrame cerebral; pode aliviar as dores e curar uma hérnia, o deslocamento de um órgão, ou parte dele; entre outros benefícios. A fisioterapia tem sua origem há milhares de anos, quando os povos mais antigos usavam o próprio movimento do corpo humano e os recursos da natureza – como o calor do sol e a água – para alívio da dor e para a cura de doenças. Há registros de trabalhos nessa linha na China, na Grécia e mais tarde na Europa, por volta do século 14. Mesmo com uma história tão antiga, somente na década de 50 surgiram cursos para a formação de técnicos em fisioterapia no Brasil. Apenas em 1969 a profissão foi regulamentada no país. “A fisioterapia avançou muito nesses quase 40 anos de profissão. Hoje, a fisioterapia brasileira é conceituada internacionalmente e não deixa a dever a ninguém. Atletas do mundo todo vêm buscar tratamento aqui no Brasil”, comenta Sérgio. Para seguir a carreira de fisioterapeuta, é preciso cursar fisioterapia numa das muitas faculdades que oferecem o curso no Brasil. As matérias vão de história da fisioterapia, passando por movimentação do corpo humano, anatomia até diferentes tipos de terapia. Mas estudar na faculdade não é o bastante. Um bom fisioterapeuta precisa ter vontade de ajudar os outros, estimular a capacidade de recuperação das pessoas e acompanhar a evolução da ciência. Depois de formado, o fisioterapeuta pode trabalhar no diagnóstico e tratamento de pacientes em consultórios, clínicas especializadas e hospitais. Outra opção é trabalhar com saúde pública. Nesse caso, as ações podem ser na área da vigilância sanitária, coordenando campanhas de conscientização e educação da população em relação à prevenção e a tratamentos oferecidos pela fisioterapia.
Uma campanha nas escolas informando aos alunos sobre a postura correta para sentar na cadeira ou alertando para os cuidados com o peso da mochila é obra do profissional da fisioterapia. Existe ainda a possibilidade de trabalhar como professor nas universidades, realizar projetos de pesquisa científica ou até trabalhar na indústria, desenvolvendo equipamentos e materiais fisioterápicos. Outra área que emprega muitos fisioterapeutas é o esporte. Hoje, praticamente todos os esportes contam com acompanhamento de fisioterapeutas. Se seguir por esse caminho, quem sabe até você possa bater uma bolinha com o pessoal nas horas de folga. Mas, por favor, cuidado com meias-bicicletas.
Felipe Caruso Instituto Ciência Hoje/RJ

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